Nov
7
Hoje pela manhã um amigo estava se gabando porque ajudou os amigos dele do futebol, que haviam ingerido (muita) bebida alcoólica, a se safar de duas blitzes com bafômetro.

photo credit: christopherdale
O brasileiro é assim. Só pede punição para os infratores que aparecem em reportagens na TV. Não queremos ser punidos. E nossos familiares, amigos e parentes também devem estar imunes as punições.
Ao dizer que eu não faria uma coisa destas, vocês podem imaginar o resto da história. Fui taxado de traidor (para não dizer as palavras originais).
Não quero dizer, que com esta atitude eu seja um cidadão modelo. Longe disso. Porém, procuro obedecer as leis, principalmente aquelas que colocam a minha ou a vida de outros em perigo.
Não tive a oportunidade de perguntar para ele, pois a conversa desandou, mas digamos, hipoteticamente, qual seria a sensação dele ao saber que a proteção que deu ao amigo, casou um grave acidente com vitimas (fatais ou não)?
Outros vão dizer: “Mas quem disse que ser parado pela polícia evitaria um acidente?”. Pode ser que não evitasse, porém o infrator iria pensar muito antes de beber e dirigir novamente. Sem dizer que o percurso depois da blitz ele não poderia mais dirigir estando embriagado.
Se a lei não tem utilidade, porque não lutam para revogá-la?
O que me irrita é ver o mesmo cidadão reclamando dos governantes, como únicos culpados pelas mazelas do nosso país (é sempre dos outros e com os outros). Não isento os governantes por grande parte da culpa, porém e a nossa parte?
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Sérgio,
Eu estava junto quando a pessoa contou a história, e do meu ponto de vista, ela não foi exatamente assim como você descreveu. Eu ouvi as mesmas palavras da mesma boca que as proferiu e em nenhum momento ele disse que os amigos ingeriram muita bebida, nem sequer deu a entender que eles estariam bêbados.
Longe de mim apoiar quem bebe e dirige, mas existe uma tolerância permitida pela lei, e essa tolerância no entanto não é clara pois o grau varia de pessoa para pessoa, dependendo do peso, da quantidade de alimento ingerida, da velocidade com a qual a bebida é ingerida, e outros diversos fatores que tornam impossível para qualquer pessoa saber qual o seu grau. Além disso, as pessoas reagem diferentemente a um mesmo grau, em algumas pessoas uma quantidade X pode não causar nada, em outras pode ser bastante significativo. De novo: não apoio bebida + direção, nem estou defendendo esse tipo de atitude, mas conheço a pessoa que contou o caso (que inclusive não bebe) e sei que a única intenção dela era proteger seus amigos, e JAMAIS proteger bêbados ao volante ou qualquer tipo de criminoso.
A lei brasileira é a mais rígida do mundo quanto ao grau tolerado, não sei se isso é bom ou não, não tenho parâmetros para julgar isso, mas me parece um tanto quanto exagerado mandar para a cadeia pais de família, trabalhadores, pagadores de impostos, enfim, pessoas de bem, apenas por beberem dois copos de cerveja (e de novo, não sabemos se esse é o limite pois cada pessoa apresenta um grau diferente para uma mesma quantidade de bebida ingerida). Talvez fosse o caso de se repensar o limite estabelecido, ou talvez não, sinceramente não posso afirmar que o limite é injusto, mas certamente não é nada transparente, ou seja ninguém que tenha dado um único gole pode saber ao certo se está infringindo a lei ou não. A única forma de saber é não bebendo, então o limite não faz sentido, e portanto a lei deveria ser mudada.
Mas voltando ao episódio em si, meu entendimento do acontecido diverge RESPEITOSAMENTE do seu, até mesmo quando você escreve que o interlocutor estava “se gabando”, pois para mim ele estava apenas contando um acontecido.
Vale por fim lembrar que outras tantas atitudes “inocentes” ao volante podem ser tão ou mais perigosas quanto beber um copo de cerveja, porém tenho certeza acontecem todos os dias (inclusive em rodovias), como falar ao celular, ultrapassar o limite de velocidade, ultrapassar pela direita, enfim, outras tantas infrações que colocam em risco não apenas o condutor, mas também outras pessoas que estão no mesmo carro, em outros carros ou ainda pedestres. E nem por isso a penalização para essas infrações é a cadeia.
Se o objetivo do post era fazer as pessoas pensarem sua atitude, serviu a contento, porém espero que sirva também para o autor.
Grande abraço (lembre-se: mim amigo)
Clayton
Clayton, espero que você tenha reparado os detalhes. Pelo que te conheço você notou todos eles. Mas te ajudar e fornecer aqueles que acho que você não deu a atenção devida:
1. O título do post “será que seremos sempre assim”, teve a intenção de me incluir — justamente para a relfexão, que espero que você também faça sobre esta e outras atitudes;
2. O blog emite a minha opinião/ponto de vista sobre as situações que presencio, naturalmente não precisamos concordar, mas o que foi relatado não foi aumentado nem dramatizado;
3. Utilizei a expressão “se gabando” pois ele iniciou a conversa assim “Sorte dos meus amigos que eu estava com eles ontem”, na minha humilde opinião isto é se gabar;
4. Não há no post a palavra bêbado. Utilizei a palavra “muito” entre parênteses, pois segundo a pessoa que relatou o fato, havia muita bebida gratuita. Realmente não sei se eles beberam muito;
5. Concordo com você, se a lei não esta adequada que seja revisada, mas até lá que seja cumprida. O objetivo do post era levantar porque sempre achamos que coisas ruins só acontece com os outros e não conosco, e quando acontece com os outros estes devem ser punidos;
6. É você que sempre diz que não há problemas em atender o celular ao volante. Você diz que apenas aqueles que não dirigem bem podem fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
7. Quando cometemos uma infração, devemos saber o risco que corremos, e nem por isso, os amigos devem ajudar a nos “safar” da punição;
8. Agora sou conhecido na empresa, graças a sua ajuda, como o Traíra.
É impressionante que toda vez que discordo de você, em temas polêmicos, você leva ao conhecimento de todos dentro da empresa como forma de caçoar do meu ponto de vista. Ainda vivemos em uma democracia.
Quero também lembrá-lo que você pode utilizar o seu espaço para dar sua opinião sobre assuntos polêmicos.
Um link de perguntas e respostas sobre a lei seca. Aqui você encontra o Código de Trânsito Brasileiro.
Por último, agradeço (de verdade) sua participação que certamente colaborou para engrandecer a discussão.
Sérgio, respondendo a sua pergunta: Será que seremos sempre assim?
Seremos, até compreendermos que temos etapas no nosso desenvolvimento como ser humano. Após a adolescência são nos cobradas atitudes que resultam deste desenvolvimento. Não vejo graça em um adulto se comportando como adolescente. Quer beber e não sabe a medida que seu organismo suporta, beba em casa. Do contrário, se quer beber na rua, peça para um desses amigos que não beba e o leve para casa depois. Mas não, amigo que é amigo, bebem juntos e fazem as ‘cagadas’ juntos também.
A lei é para ser cumprida. Basta de jeitinho brasileiro. Sabe porque estou tão brava? Um cara, com seus 40 anos subiu a calçada com o carro e atropelou um menino que voltava da escola. Ele negou o tempo todo que nao tinha bebido, se recusou a fazer o teste do bafometro. Resultado, constou nos exames de sangue que ele tinha bebido e a criança agora não anda mais. Vale um tonto andando pela rua do que uma criança?
Depois reclamam dos políticos… Caráter é algo extremamente pessoal. Honestidade também. Querer a punição dos outros, mas livrar os seus, é ser tão corrupto quanto quem julga pessoas todos os dias por homicídio, mas busca o livramento de seu filho por ter quimado um índio vivo “Ele é só um adolescente”. Já cansei dessa benevolência e desse interesse privado das pessoas. A lei é para todo mundo, indistintamente. Para mim, para ti e para os demais, quer sejam estranho ou conhecidos. Ser amigo é estar do lado do outro sempre, não passando a mão na cabeça e encobrindo as besteiras que ele faz na vida. Abração, grande Sérgio.
É, cara! Faz parte do brasileiro só aceitar a punição do próximo… desde que não seja de sua família e amigos. Lembro-me da Reforma Previdenciária. Todos queriam, desde que no contracheque dos outros.
Mas, tudo bem. Os norte-americanos são assim, tbm. Os europeus, todos, são assim. Os indianos tbm… e os japoneses, os chineses, os tailandeses, os africanos, os árabes, os turcos…