Dia 27/01/08 tive o meu primeiro encontro com uma cobra venenosa.

Estava colhendo mangas na chácara em São Roque, interior de São Paulo, quando minha sogra gritou "uma cobra!!! Vem gente… uma cobra!!!". Detalhe: Minha sogra não teme nenhum destes tipos de animais (ratos, aranhas, cobras, etc). Normalmente ela se vira e acaba matando/espantando sozinha. Sendo assim corri sabendo que não era uma "minhoca". Era provavelmente algo bem maior. E era!

http://www.sxc.hu/photo/852547 Uma cobra com aproximadamente 1 metro de comprimento (descobri isto depois). Mesclada de cinza e branco/bege e desenhos bem definidos. Tinha uma cabeça pequena porém era possível ver a lingua dela e a ponta da cauda que parecia uma agulha balançando.

Na correria e desespero por ver um animal que poderia causar um acidente e sem ter nenhuma experiência com esta situação, o primeiro pensamento que vem a mente é: vou matá-la. É lógico que em seguida vem alguns pensamentos racionais como: "Acho que não deveria fazer isto, deveria apenas espantá-la". Por fim, não sabendo que tipo de cobra (ou o correto serpente) se tratava, achei melhor matá-la. Afinal não é uma boa idéia tentar capturar um animal deste tipo sem o mínimo de preparo, conhecimento e ferramentas.

Peguei então uma pá e meu sogro pegou um facão. Depois de me preparar por um momento (mirando a cobra e sem ficar próximo o suficiente para levar o bote) eu dei o bote. O golpe cortou a cobra ao meio. Em seguida a parte da frente que restou ficou virada para mim com a cabeça em pé e com a lingua balançando (pervertidos de plantão era apenas uma cobra/serpente mesmo). Meu sogro pegou a pá segurou ela e eu acabei de matá-la com o facão desferindo golpes na cabeça da cobra, de forma que acabasse com a agonia dela e a nossa.

Foi uma situação tensa e não me senti bem em ter matado o animal. No entanto foi necessário.

Para evitar estas situações no futuro, busquei no oráculo de que cobra se tratava e como fazer para capturar um animal peçonhento sem ter que matá-lo.

De acordo com o comportamento e imagens que encontrei na internet e algumas dicas que o Instituo Butantan fornece para identificar o tipo e a família da serpente, tratava-se de uma jararaca (ou jararacuçu). De acordo com estas informações, este tipo de serpente é responsável por 85% a 90% dos acidentes com picadas e envenenamento (Não ocorre necessáriamente a morte). Além disso, estas cobras atacam mais facilmente quando se sentem ameaçadas. E isto ocorre principalmente, por sua semelhança com folhas secas (difícil de enxergá-la) e porque vivem próximo de casas em áreas rurais. Alimentam-se principalmente de ratos e camundongos motivo pelo qual estão próximas de onde vivem os humanos.

É importante ressaltar que em um acidente com cobra venenosa, devemos seguir os conselhos do Instituto Butantan e deixar que uma pessoa capacitada trate corretamente. Abaixo a lista do que fazer e não fazer:

Vou deixar alguns links que encontrei na internet sobre o assunto. No site saúde animal, há um texto bem completo sobre como capturar com segurança as serpentes.

Para completar: Eu amo minha sogra como se fosse minha segunda mãe.

Nota: A foto é apenas ilustrativa. Utilizei esta apenas por ser permitido seu uso.

 

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Idéias

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9 Comentários »

Comment de Ricardo Rayol
2008-02-04 21:29:58

Cara, na boa, com todo o respeito à sua sogra, mas se fosse comigo eu ia logo pensar.. “putz, chegou a irmã dela” ahahahahahahahaha brincadeira, minha sogra é uma flor de pessoa e tem o amior medo de mim, não sei porque razão.

Como fui criado em Brasilia e desde os 6 anos ia caçar com meu pai no interior de Goiás e do que é hoje o tocantins vi muito disso aí.

 
2008-02-04 22:35:39

[…] coisas do Sanduba : Sociedade e Conhecimento wrote an interesting post today on Aventuras na Chácara IHere’s a quick excerpt Dia 27/01/08 tive o meu primeiro encontro com uma cobra venenosa. Estava colhendo mangas na chácara em São Roque, interior de São Paulo, quando minha sogra gritou “uma cobra!!! Vem gente… uma cobra!!!”. Detalhe: Minha sogra não teme nenhum destes tipos de animais (ratos, aranhas, cobras, etc). Normalmente ela se vira e acaba matando/espantando sozinha. Sendo assim corri sabendo que não era uma “minhoca”. Era provavelmente algo bem maior. E era! Uma cobra com aproximadamente 1 metro de comp […]

 
Comment de Sergio Nascimento
2008-02-05 18:02:27

Eu nunca tive a experiência de caçar.
Não sei se seria capaz, exceto se houvesse necessidade.

Como sempre vivi em área urbana, estas coisas são novidade aqui no campo. Mas foi interessante e ainda bem que foi ela que não teve sorte.

Um abraço.

 
Comment de Chawca
2008-02-06 14:30:25

Quantas piadinhas de mau gosto podem ser feitas com seu post, hein???

Mas eu sei bem o que é isso,já passei por essa situação…
Só que no meu caso jogaram uma espécie de balde por cima prendendo a cobra, predenram-na lá dentro e levaram para um insituto especializado..

Um abraço

Comment de Sergio Nascimento
2008-02-06 21:19:53

É Chawca, eu pensava nisto enquanto escrevia o artigo…

Eu pensei no balde também. Mas, minha dúvida era como levantar o balde com uma tampa ou seja lá o que for, sem que ela atacasse? Bom, espero que não seja preciso encontros como este e nem o uso das técnicas para capturá-las.

Obrigado pela dica e pela visita.

Um abraço.

 
 
Comment de Neto Cury
2008-02-07 09:48:42

Longe de mim de querer te julgar pois você sabia o risco que a sua família estava correndo, mas se fosse eu não mataria.

Comment de Sergio Nascimento
2008-02-11 18:09:59

Eu pensei muito nesta hipótese, mas obviamente não esgotei todas as possibilidades. Eu não gosto de matar este tipo de animal, afinal de contas somos nós os invasores.

Mas, como você bem disse, o que levei em consideração foi o risco para a minha família. Espero que isto não ocorra mais. Mas como é área rural, a possibilidade é grande (ou pelo menos maior do que eu imagino). Dá próxima vez já sei o que fazer e certamente não será matar.

Obrigado pela visita e comentário.

 
 
Comment de Oscar Luiz
2008-02-14 19:39:22

Sérgio, meu amigo

Primeiro obrigado pelas gentis palavras de incentivo que deivxou no meu post da blogagem coletiva.
Depois, te digo, sou biólogo e estudei serpentes e anfíbios (daí deve entender meu template), por alguns anos numa parte da biologia chamada Herpetologia.
A princípio, pela foto que postou, Jararaca (Bothrops jararaca) está descartada aparentemente. Jararacussu, eu nem descartaria e nem apostaria minhas fichas que é.
Mas se quiser uma identificação mais profissional que a minha, procure o Cláudio do blog “Jogando Conversa Fora” linkado aos meus. Ele é um especialista que trabalha extamente com isso. No meu You Tube (link no blog) tem um vídeo em que ele fala ao Casseta & Planeta sobre o comportamento das serpentes que é instrutivo e engraçado. E se vale a informação (pois isso pode acontecer novamente), a distância segura de uma serpente é mais do que 2/3 do seu comprimento total. Assim, a física impede que ela consiga atingir a vítima (mesmo que ela tenha matado essa aula, ela sabe que não pode te atingir).
Seu blog é muito bom e você está de parabéns.
Um grande abraço!

Comment de Sergio Nascimento
2008-02-18 13:51:01

Oscar, pra dizer a verdade eu não sei qual é a serpente da foto :).
Quando fiz o post procurei por uma imagem que tivesse permissão para publicação em blogs, apenas para ilustração.
Pelas conversas que tive com moradores da mesma região eles também acreditam que seja Jararacussu. Mas meu sogro enterrou os restos no meio do mato (acho que ele ainda estava com medo :)), caso contrário teria tirado uma foto dela mesma….

Quanto a situação ocorrida, o problema é nossa ignorância. Eu não tinhas estas informações naquela ocasião. Agora, eu e minha família, estamos munidos de muitas informações, inclusive sobre a distância segura, formas para capturá-las e outras para situações como esta.
Espero realmente que elas não tenham faltado a aula, para não provocar nenhum susto desncessário :).

Nossa cultura, seja por filmes, lendas ou crenças nos faz acreditar que as serpentes atacam por qualquer motivo.
E acho que isto cria um pavor desnecessário. É claro que é preciso cuidados e precauções, principalmente com crianças e animais domésticos. Mas, munidos de informações é possível alcançar um desfecho feliz para o animal e para nós.

Obrigado pelas suas informações e pelos comentários.

PS: Visitei os links que você indicou e também já adicionei aos feeds.

Um abraço.

 
 
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